quinta-feira, 28 de outubro de 2010

CAPÍTULO 10 - Vale tudo no MMA?

Indubitavelmente o esporte que atinge maior público e que gera uma das maiores receitas mundiais é o MMA. Mas os questionamentos acerca deste esporte ainda é com relação a violência exibida, à integridade dos atletas e se vale realmente a pena se expor a tanto por tanto dinheiro (se tratando é claro do nível profissional, porque o amador... triste). Todos questionam esse tipo de coisa, mas são na verdade questões secundárias e sem muita relevância. Vou explicar o porque!
Recentemente fui questionado a respeito (não com estas palavras) da diferença entre o vale-tudo e as brigas de rua. Na hora, respondi que há regras no vale-tudo e respeito mútuo entre os competidores,  o que não acontece nas brigas de rua. Mas, pensando melhor acerca do assunto cheguei a conclusão que não há diferença entre as brigas de rua e o vale tudo. Se vale tudo estamos falando obviamente das brigas e não das lutas. Por outro lado, se compararmos o vale tudo (que no meu entender, as brigas de rua se enquadram aqui) com o MMA há algumas diferenças gritantes, tanto é que o MMA se tornou esporte e o UFC (referência em evento deste esporte) conseguiu unificar as regras do esporte (alguns eventos ainda não a adotaram, mas a grande parte sim).
Mas a grande questão é: por que o vale tudo se tornou esporte? Gosto de entender que a resposta para esta pergunta é muito mais histórica e midiática do que por uma questão financeira. Se pararmos para pensar, o vale-tudo sempre existiu, não com o caráter lucrativo diretamente mas com o caráter desafiador. Mestres se desafiavam uns aos outros para ver qual era melhor e consequentemente conquistar mais alunos. Independente de os mestres serem de estilos diferentes, escolas diferentes, cidades diferentes existia uma espécie de código de respeito mútuo no qual ambos respeitavam-se e não atingiam regiões como genitais e olhos. Com o passar do tempo, não me pergunte como, as brigas de rua foram se tornando mais e mais frequentes, "podendo" os lutadores atingirem qualquer parte do adversário para vencer o combate. O MMA, quando surgiu, surgiu com caráter desafiador também tentando demonstrar superioridade de um estilo sobre o outro. Eu mesmo, cheguei a assistir lutas da década de 90 cujas regras eram insistente praticamente e duas me marcaram muito, a primeira foi a que um lutador praticamente deixou exposto seu globo ocular de tantos cortes profundos ao redor do olho, o segundo foi um lutador que prendeu seu adversário e socou-o três vezes nos testículos. Agora, com o UFC em alta, as regras reapareceram, as brigas de rua parecem ter diminuído e o vale tudo deixou assim de existir, dando espaço ao MMA (Artes Marciais Mistas).
As pessoas procuram muitas vezes por alívio de estresse e pacificação, muitos têm encontrado isso nas artes marciais. Os que têm a arte de lutar como algo inato, tem deixado de brigar em ruas para treinar e lutar nos ringues, porque ali é ele contra um só adversário extremamente bem preparado, e é aí que a adrenalina vai lá em cima durante a luta e a endorfina mais alto ainda durante e após o combate.

Um comentário:

  1. Fala Cadu. Sim, nada melhor que um bom mano-a-mano honrado para testar suas habilidades. O interessante é justamente esse ponto, a honra da luta. Claro que na briga de rua, honra não é contada, geralmente porque um ou ambos dos participantes estão alterados psicologicamente e utilizam de quaisquer meios para vencer, sem contar o fato de que amigos podem interferir e deixar a briga desigual. Mas como você mesmo disse em relação aos antigos mestres, creio que possa existir a briga de rua honrada, fora dos ringues, onde duas pessoas, não necessariamente inimigas, mas rivais podem combater, não por desavenças, mas por camaradagem e aprimoração de técnicas. Pois o momento do embate é único e como um ditado oriental diz: "não há mentiras no calor da batalha", ou seja, é ali que você se conhece e conhece verdadeiramente seu adversário.
    Abraços

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