domingo, 7 de agosto de 2011

CAPÍTULO 20 - A importância do treinamento aeróbico em modalidades de combate

Olá.
Com o passar do tempo e o surgir de novas tecnologias e novas dinâmicas de treinamento as vezes nos esquecemos- ou simplesmente deixamos passar- aspectos fundamentais de um preparo físico adequado a um lutador. Aspectos tais como uma boa condição cardio-respiratória, alta resistência e boa capacidade de gerar força. Pois bem, o que venho a tratar aqui (como percebido no título do post) é o aspecto aeróbico de um lutador e algumas das formas de treinar esta capacidade. 
Diversos autores sugerem formas de treino no que concerne à frequência, duração e intensidade. Cooper (1978 e 1982) sugere que o treinamento aeróbico ocorra 3 vezes na semana, mas se possível 4 vezes. Por outro lado, a American College of Sports Medicine (1980), recomenda uma frequência entre 3 a 5 vezes por semana, com  duração entre 15 min. a 60 min., com intensidade de 60% a 90% da FCmáx. (ou 50% a 85% do VO2máx). Há ainda autores como Cosenza que afirmam em seus estudos que para tal trabalho, o esforço deve girar em torno de 70% a 75% do VO2máx.. Pollock (1993) afirma que a frequência deve ser de 2 vezes por semana com carga 30% superior a um treinamento feito 3 vezes por semana e que, desta forma não haverá ganhos no VO2máx, porém, não haverá perdas na composição corporal. Mcardle, Katch & Katch (1998), descrevem que o treinamento pode ser de 2 a 3 dias por semana,não precisando ultrapassar 30 minutos.
Bom, citado toda essa parafernália acadêmica, o que podemos utilizar? Como podemos ou devemos elaborar nossos treinos? Temos tempo para isso? Quantas sessões meus disponibilizam a treinar? São muitas questões não tão simples de serem respondidas, por isso vou ater-me ao público universitário e atletas amadores, cujas vidas não dependem do esporte para bancar o jantar do dia seguinte e seu tempo não é exclusivo para treinos. As pesquisas mostram que tanto o treinamento intervalado quanto o treinamento contínuo têm efeitos semelhantes na resistência aeróbia (Cunningham et al., 1979; Edy et al.,1979; Gregory,1979),  não havendo evidências que possam especificar a superioridade de um sistema sobre o outro na melhoria da capacidade aeróbia. Ambos os métodos podem vir a ter sucesso, sabendo que a capacidade cardio-respiratória é composta pelo condicionamento aeróbio e anaeróbio (Brooks, 2000). 
Ok. Sabendo disso e que, a maioria (senão todas) das modalidades de combate tem suas divisões ou categorias segregadas de acordo com o peso corporal dos competidores, vou ater-me ao método "Combinado", visto que é nele os maiores resultados em cima do VO2máx e resistência aeróbia, e o método "Contínuo crescente e decrescente" (utilizado no vídeo), sendo capaz de melhorar significativamente o condicionamento físico, a queima de gordura e o aumento de força e resistência muscular.
Podemos utilizar como método combinado, por exemplo na corrida, iniciar de forma contínua correndo cerca de 25 minutos em 70% da FCmáx, intervalando tiros de 1 minuto com 3 minutos de descanso ativo. Agora, esta forma de treino é "comum" se pararmos para pensar. Uma forma que achei interessante de treinar as capacidades cardio-respiratória e resistência muscular, é o circuito (vídeo abaixo) utilizado pelo atleta peso médio do UFC, Rich Franklin.

O circuito utilizado consiste na utilização de 10 aparelhos, em cada um deles são executadas 15 repetições e são dadas 10 voltas neste circuito, ou seja, o atleta passa 10 vezes por cada aparelho. Totalizando 1500 repetições por hora. 
Tal circuito, caracteriza-se pela utilização de uma carga inicial de aproximadamente 65% da carga referente a 1 RM, aumentando até 80% da carga de 1 RM e, retornando a 65% de 1RM. O mesmo método pode ser utilizado tomando-se como base a FCmáx., desde que o trabalho não seja com a utilização de pesos.


Referência bibliográfica:
GUETHS, Marcos. As características e prescrições de um exercício aeróbico. Buenos Aires: Revista Digital. 2003. Disponível em <http://www.efdeportes.com/efd67/aerobico.htm> Acesso em: 07 ago. 2011.
SANTOS, Michel et al. Os efeitos do treinamento intervalado e do treinamento contínuo na redução da composição corporal em mulheres adultas. Artigo original. Brasília, Sem data.
GUETHS, Marcos; FLOR, Daniela Pontes. Métodos de treinamento aeróbico. Natal/RN: Revista virtual EFArtigos. 2004. Disponível em <http://efartigos.atspace.org/fitness/artigo17.html> Acesso em: 07 ago. 2011.

domingo, 24 de julho de 2011

CAPÍTULO 19 - Matrizes específicas para treino de força nas lutas

Quando dizemos o termo "específico para um esporte" queremos dizer que é aplicado aos exercícios que simulam  movimentos particulares de um atleta em seu esporte. Isto permite decompor os diferentes esportes em  tipos gerais de movimentos e treinar esses movimentos para melhorar o nível global de desempenho. (WILLIANS et. al, 2010)
O intuito deste post é mostrar exercícios de força (específicos para cada modalidade) que possam vir a contribuir diretamente para o aumento nas valências físicas do atleta e, consequentemente, seu rendimento nas competições. Então vamos a isto.

Pugilismo (Boxe) - Agachamento (figura 1), A fundo e avanços (figura 2), rotação do tronco com cabo (figura 3),  supino plano (figura 4), desenvolvimento de ombros (figura 5), levantamentos dinâmicos - arremesso e arranque e saltos.

Esgrima - A fundo (figura 2)

Judô - Agachamento (figura 1), A fundo e avanços (figura 2), rotação do tronco com cabo (figura 3), levantamentos dinâmicos - arremesso e arranque, saltos, levantamento terra com membros inferiores flexionados (figura 6), levantamento terra com membros inferiores estendidos (figura 7) e remada em pé (figura 8).

MMA - Agachamento (figura 1), A fundo e avanços (figura 2), rotação do tronco com cabo (figura 3), supino plano (figura 4), desenvolvimento de ombros (figura 5), levantamentos dinâmicos - arremesso e arranque, saltos, levantamento terra com membros inferiores flexionados (figura 6), levantamento terra com membros inferiores estendidos (figura 7), remada em pé (figura 8), rotação de ombros (figura 9).


Striking - Agachamento (figura 1), A fundo e avanços (figura 2), rotação do tronco com cabo (figura 3), supino plano (figura 4), desenvolvimento de ombros (figura 5), levantamentos dinâmicos - arremesso e arranque e saltos.


Wrestling - Agachamento (figura 1), A fundo e avanços (figura 2), rotação do tronco com cabo (figura 3), supino plano (figura 4), levantamento terra com membros inferiores flexionados (figura 6), levantamentos dinâmicos - arremesso e arranque, saltos, remada em pé (figura 8), e rotação de ombros (figura 9).
Figura 1
Figura 2

Figura 3

Figura 4
Figura 5
Figura 6

Figura 7


Figura 8

Figura 9
Figura 10 (pliometria)




Fontes:
REMEDIOS, Robert dos; Power Training, Universo dos Livros, 2010.
WILLIANS, Len; GROVES, Derek; THURGOOD, Glen; Treinamento de força, Manole, 2010
DELAVIER, Frédéric; Guia dos movimentos,  Manole. 
EVANS, Nick; Anatomia da Musculação, Manole, 2007

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Capítulo 18 - Kettlebells e seu envolvimento com o treinamento em modalidades de combate

Olá.
Muito tem-se visto e ouvido falar sobre a utilização de recursos cada vez mais, digamos, atípicos nas modalidades de combate. Inicialmente os treinos nas artes marciais ocorriam obedecendo uma ordem, que normalmente era dividida em aquecimento geral, parte específica (repetições de chutes, socos, projeções, luxações entre outros), demonstração e aplicação de novas técnicas (quando em iniciantes) e combate controlado para não haver lesões (este se mantem até os dias atuais). Pois bem, o que se vê atualmente são treinos que começam com aquecimento específico (disputa de pegadas no judô; combate sombra no boxe e kickboxing; bloco de chutes no TaeKownDo; e por aí vai), passagem de táticas de luta (sequências e combinações de golpes), treino físico e flexibilização (ou volta à calma).
O que pretendo abordar aqui atêm-se apenas ao quesito "treino físico". Tomando como referência o MMA (que atualmente é o maior e mais lucrativo esporte de combate em todo o mundo) vemos cada vez mais a utilização de recursos como o kettlebell. Mas o que seria esse kettlebell? Bom, o Kettlebell é uma bola de ferro com alça chumbada que pode variar de 2 kg a mais de 36 kg.
Figura - 1
Ok. Dito um pouco do histórico e curiosidades, vem a questão: como trabalhar com este artefato e para que serve? Não há uma modalidade de combate, repito, nenhuma modalidade que não necessite de um bom jogo de quadril ou de equilíbrio na região central do corpo. Isto se dá porque é nesta região que fica localizado nosso centro de gravidade (Figura - 1) que é responsável por responder aos estímulos que tendem a nos desequilibrar (o andar é apenas um deles). Logo, ter esta região bem trabalhada é de suma importância para um bom desempenho durante os combates (MAS NÃO SERÁ APENAS ISTO QUE LHE FARÁ VITORIOSO). No Kettlebell Training, são utilizados movimentos balísticos divididos em duas fases que são denominadas Swing (inicial) e Snatch (avançado).


Em ambos a ação principal localiza-se no quadril, mas no primeiro a ação inicia-se com joelhos flexionados, costas encaixadas e braço estendidos segurando o KB, durante a execução o que se observa é um movimento contínuo, o braço segue a ação do quadril em mover-se para frente (como se fosse a elevação frontal de ombro).

Demonstração do Swing

Já no segundo, mantendo a mesma posição ortostática (postura ao início do exercício) por mais que haja a ação principal do quadril, há também um grande esforço dos membros superiores (bíceps, tríceps e ombro) para erguer o peso da posição inicial, visto que, diferentemente do Swing, no Snatch o KB movimenta-se verticalmente em forma de arranco.
Demonstração do Snacth

Há ainda outras variações, mas que não visam trabalho na região do core composta pelo abdome, músculos ao redor e do quadril, lombar e ombros. Bom, espero ter sido claro em como trabalhar com os Kettlebells.

Abraços

segunda-feira, 18 de julho de 2011

CAPÍTULO 17 (Recomeço) - A crioterapia pós-treino

A técnica de banho de gelo começou no esporte, sendo o atletismo pioneiro na utilização deste recurso e atualmente essa técnica já foi difundida à muitas outras modalidades chegando às artes marciais e, principalmente o MMA.

Efeito fisiológico - O efeito fisiológico da crioterapia sobre a dor se dá pela diminuição da velocidade de condução nervosa de forma proporcional à quantidade de resfriamento. Como os atletas profissionais treinam em média de 6 a 8 horas por dia, sua recuperação deve ser o mais eficiente e rápida possível e para isso os atletas literalmente entram “numa fria” mergulhando numa banheira de gelo (normalmente) todos os dias após as sessões de treinos. É nessa parte que entra a técnica de imersão.                                                     

As aplicações do frio são utilizadas desde antes de Cristo, quando gregos e romanos utilizavam gelo natural e neve para tratar problemas de médicos. Já no século 19, as compressas frias foram reconhecidas como auxiliares nas cirurgias. E hoje, século 21, aprimoramos técnicas e conhecemos fisiologicamente seus efeitos.

Benefícios - O uso da crioterapia (através de banho de gelo) produz anestesia, analgesia, diminui o espasmo muscular, induz ao relaxamento, permite mobilização precoce, incrementa o limite de movimentos, quebra o ciclo dor-espasmo-dor e diminui o metabolismo.

A temperatura da água utilizada nos banhos de imersão varia de -1º C a +5º C. Esta técnica é comumente utilizada pós atividade física, durante um tempo de três a cinco minutos. O tempo proposto neste artigo é sugerido para atletas de atletismo que utilizam a crioterapia apenas nas pernas com a água numa temperatura variando de 
-1º C a +5º C durante 5 minutos. Alguns lutadores profissionais chegam a ficar imersos até a atura do queixo em galões de 200 litros por até 10 minutos em água variando na mesma temperatura anterior (-1ºC a +5ºC).

Contraindicação – A crioterapia não deve ser usada quando há ferida aberta ou até mesmo em pessoas que possuam algum tipo de lesão nervosa, pois haverá uma grande diminuição da sensibilidade. Também deverá ser evitada em casos de: infecções de pele e gastrointestinais, sintomas agudos de trombose venosa profunda, ocorrência de doença sistêmica, em casos de tratamento radioterápico em andamento, para portadores de micoses e fungos, dentre outros.

Quando usar - Em fraturas consolidadas ou em fase de consolidação, alterações posturais, pós-lesões traumáticas como: entorses, luxações, subluxações, lesões impactantes, etc., além de pós-operatórios ósseos e articulares. Após atividade física prolongada e de esforço físico máximo. Isso tudo, de acordo com cada tipo de pessoa.

Resultados - Dentre os resultados possíveis, podemos citar: benefícios como o aumento da amplitude de movimento, diminuição da tensão muscular, relaxamento, analgesia, melhora na circulação, absorção do exudato inflamatório e debridamento de lesões, bem como o incremento na força e resistência muscular, além de equilíbrio e propriocepção na redução do tônus muscular.


Atletas de atletismo realizando crioterapia 


quinta-feira, 9 de junho de 2011

CAPÍTULO 16 - O que vale a graduação?

Faixa.
Qual o significado de uma faixa amarrada na cintura? Para mim sempre fora o de segurar a calça. Sempre acreditei veemente que amarrar uma outra faixa na cintura, como forma de graduação, era sinal de merecimento e continuo acreditando. Mas o tempo mais uma vez veio me ensinar que eu estava errado em determinados pontos, como a questão de ser só uma faixa para segurar a calça. Faixa não mostra o quanto você sabe ou o quanto você é bom, mas sim o quanto você mereceu, o quanto você batalhou para chegar a tal posição. Faixa é mais que um conjunto de fios entrelaçados imbuído de símbolos e significados.
A questão aqui é: quando "dar" faixa a um aluno? Na minha humilde opinião, quando ele merece! E quando digo que ele merece, não quero dizer quando ele quer. O aluno deve respeito ao professor e às suas decisões. É um sinal de humildade e respeito, não de submissão. Não de medo ou algo do tipo. Mas se há faixa e graduações, é porque existe uma hierarquia que DEVE ser respeitada.
Por isso não consigo ficar quieto. Não entra na minha cabeça uma pessoa escolher praticar uma arte marcial para ter faixa. Se quer tanto assim uma faixa, que compre-a. É barato (na maioria da vezes) e não enche o saco nem toma o tempo de ninguém. Pessoal aprendam uma coisa: BONDADE, MERECIMENTO E ABUSO SÃO COISAS COMPLETAMENTE DIFERENTES. Tudo bem, as que um pode levar ao outro. Mas espera aí né Treinar uma vez ao ano não quer dizer que treina de verdade. E os outros atletas são o que então? Super-atletas porque treinam 4 ou 5 vezes na semana? E ouvir a frase "a partir desta semana o treino será voltado para o exame de faixa" não quer dizer que você, frequentando àquele treino fará o exame de faixa.
Este texto é sim um desabafo frente a minha indignação com meu local de treino. Me preocupo sim e muito com o meu treino ao invés de me preocupar com os treino alheios.
Mas o que realmente me preocupa, é ter voz quando todos ensurdecem-se e ouvir quando todos querem falar imaginando que sou surdo.

Me desculpem pelo desabafo, mas não aguento!

terça-feira, 31 de maio de 2011

CAPÍTULO 15 - Arte marcial, financeira ou honrosa?

O que caracteriza uma arte marcial? Sinceramente eu não sei. Tenho, de uns tempos pra cá, me tornado extremamente inapto para definir ou caracterizar definições e conceitos pré-estabelecidos. Mas por consenso geral, arte marcial é a arte militar, a arte de guerrear e muitos se questionam se ela vem se descaracterizando pela sua comercialização. Bom, creio que a arte marcial vem deixando de ser arte de guerrear a muito tempo, desde que inventaram as armas de fogo para ser mais preciso. Daí começam a questionar alguns pontos das competições realizadas mundo afora, como regras, premiação, categorização dos atletas e outros fatores que podem influenciar nas decisões. Sinceramente? Tem que ter regras mesmo. Tem que ter premiação mesmo. Tem que segregar os atletas por peso e graduação mesmo. Explico o por que.
Regras - para pensar numa competição de luta (qualquer que seja a modalidade) sem regras e quão divertido seria ela. Conseguiram imaginar? Pois é. Seria uma porradaria desvairada e sem finalidade, fundamento e princípios. Regras, não entram em uma competição para prejudicar determinado atleta. Até porque ela não se direciona ao indivíduo, e ao grupo, expondo onde, quando e porque executar determinadas ações dentro da área de combate. 
Premiação - por que treinar arduamente se não há uma finalidade? Se há, qual ela é? Quanto tempo você tem para atingí-la? E principalmente qual o custo para o corpo e mente em treinar 3, 4, 6 vezes por semana para "nada". É óbvio que qualquer que seja seu treinamento, jamais será em vão, mas quando se estabelece objetivos a serem cumpridos, metas a serem alcançadas, fica muito mais fácil perceber qual caminho seguir. A premiação não necessariamente deve ser em dinheiro (apesar de ser o ideal), mas deve existir. Todo atleta tem um gasto com treino, independente se este é baixo ou elevado, ele existe. E viajar, seja gratuitamente (financeiramente falando) ou de forma paga direta, é custoso.
Categorização - tem mesmo é que categorizar todo mundo. Você acha que é fácil lutar com um cara de 20 anos de treino, faixa preta (não que isso, isoladamente, signifique algo) e/ou mais pesado que você seja fácil? Então vá lá. Porque eu posso até ir lá, mas treinarei muito mais que o normal antes de realizar tal feito. Categorizar os atletas, é justificar a competição de modo a deixá-la mais significativa quanto às técnicas apresentadas e pontuação obtida.
Em resumo, antigamente a Arte Marcial era também uma competição, pois era muitas vezes utilizada para selecionar os melhores guerreiros, os mais aptos a vencer no campo de batalha. A recompensa se dava na honra em defender a pátria, em voltar como herói, receber menções do rei, imperador ou afins. Hoje, os atuais guerreiros lutam para defender a própria honra e da academia que treina (muitas vezes os atletas passam mais tempo nela que em casa), sendo esta última sua pátria; arrecadar dinheiro para sobreviver e sustentar suas famílias também é uma finalidade honrosa para lutar.
Sinceramente, não acredito mais em lutas sem valor financeiro. Apenas a viver é uma luta sem valor contabilizado. Creio que existe uma hipocrisia reinando por aí. Muitos não concordam com premiações em lutas, mas todos os praticantes de artes marciais assistem ao UFC. Ou seja, dão seus trocados ao evento, de forma indireta, a fim deste pagar seu espetáculo.

Abraços e boa diversão nos próximos eventos
PS: sinto pelo post extenso 

terça-feira, 24 de maio de 2011

CAPÍTULO 14 - Dos ensinamentos passados de geração à geração

Pelo que conhecemos até os dias atuais, sabemos que as Artes Marciais tem por finalidade propiciar a seus praticantes o máximo possível de benefícios como bem estar, saúde, capacidade de defender-se em situações hostis, entre outros fatores. Mas o que muitas vezes não paramos para pensar, são as condições que nos leva a recorrer este meio. Não levamos em consideração, muitas vezes, a postura ideal do professor, instrutor, mestre que seja, não só dentro, mas fora dos centros de treinamento também. Não estou aqui para acusar ninguém e muito menos estabelecer um padrão comportamental para tais posições. Apenas venho aqui para citar algumas cenas que já presenciei no meu curto período de vivência nas Artes Marciais.
Uns dias atrás, enquanto eu acomodava minha mala de treino ao chegar à academia onde dou aula de boxe feminino, pude notar uma cena curiosa (para não dizer desleixada) por parte do instrutor de kickboxing. Nada contra a modalidade e muito pelo contrário, é uma das que tenho grande apreço (e já dei aula inclusive) pela sua variedade de golpes e combinações possíveis, velocidade e gasto energético durante um sessão de treino, enfim, indico, mas não tem como não reclamar do instrutor. Ao chegar no local, percebi que o sujeito se encontrava vestido de calça apenas e sem camisa ou camiseta. Independente de na modalidade haver muito ou pouco contato, a indumentária se faz tão necessária e importante quanto as técnicas ministradas. Outra coisa que pude notar foi a saudação utilizada, e é deste ponto que quero partir.
Neste dia, o que eu vi foi uma saudação que mais se aproximava da utilizada no Taekwondo que no Kickboxing propriamente dito. Mão no peito, juramento com pés juntos e cabeça baixa, tudo em sinal de respeito e submissão. O que eu tenho como saudação do Kickboxing é apenas um gesto militar de bater as mãos na lateral das próprias coxas. Ok, partindo do ponto que houve alterações na saudação (início e fim do treino) venho informar que tendemos da mesma forma, a inclinar nossos ensinamentos técnico-marciais da forma que imaginamos ser mais eficiente. Considero tal forma de ensinamento totalmente errônea, visto que existe uma "coisa" chamado heterogeneidade da turma. Em se tratando de atletas formados, cujo feedback não precisa ser fornecido pelo professor a qualidade técnica aparecerá mesmo se houver pequenas adaptações no movimento. Para elucidar melhor, um soco cruzado poderia (como já vi acontecer muitas vezes) ser ensinado antecedido de uma leve rotação do tronco para o lado do braço que efetuará o soco certo? Errado, pois ao ensinar de tal forma, o aluno que não tem vivência e muito menos experiência na área, tenderá a efetuar o golpe cruzado sempre rotando o tronco, mostrando assim qual ação executará.
Parece fácil mas ensinar movimentos das Artes Marciais, independente de qual seja, priorizando a técnica original sem alterações é extremamente difícil.
Há um mês atrás aproximadamente, um atleta do Judô me veio com o assunto que há três tipos de Ippon Seoi Nage (um dos golpes de braço do judô) e me mostrou os três, sendo que num deles a ação principal do golpe se encontrava claramente no quadril. Apenas balanceei a cabeça como quem concorda e saí.
Aos professores, instrutores, técnicos e mestres, fica meu apelo: técnica é técnica, campeonato é campeonato e iniciante tem que aprender é técnica pura, sem alterações feitas por e/ou para atletas de alto nível.

Abraços a todos

domingo, 22 de maio de 2011

CAPÍTULO 13 - Toda a rotatividade?

Estava assistindo ao UFC aqui em casa uns dias atrás (um dos que tenho gravado) e me dei conta da rotatividade de campeões que existe na categoria meio-pesado (-93 kg). Antes quem defendia o título era o Rashard Evans; Perdeu o cinturão para o brasileiro Lyoto Machida; que perdeu o título para outro brasileiro, Maurício Shogun; que enfim, perdeu para o norte americano, Jon "Bones" Jones.
Dos campeões citados acima, não tem um que pode-se apontar como de baixa qualidade. Todos são extremamente qualificados e bem preparados físico, mental e tecnicamente. Mas o que realmente me pôs a pensar, foi o curioso fato de um campeão não manter o título durante muito tempo, como se vê nas categorias inferiores - George St. Pierre -77 kg; Anderson Silva - 84 kg (última derrota em 2007 e 2006, respectivamente). 
Bom, vou direto ao ponto, à questão por assim dizer: essa rotatividade toda, é um indicador de qualidade de outros atletas em ascensão ou não? Se é, isso é bom ou ruim?
De início, pensei numa possível queda na qualidade desempenhada pelos atletas detentores de cinturão desta categoria, mas analisando os atletas, em especial os que detiveram o cinturão, pude perceber que o que acontece na verdade é um processo de qualificação cada vez mais acentuado por parte dos atletas desafiadores. 
Veja bem, Rashard Evans antes de lutar com Lyoto Machida utilizava demais um jogo de boxe e contra-ataque, após a derrota para o "The Dragon", passou a utilizar mais, e com mais frequência, seu jogo de wrestling e ground and pound. Tem dado certo. O Lyoto, utilizava muito seu jogo de karatê, conseguindo manter um jogo de distância e entrada e saída muito bom. Após sua derrota para o brasileiro Shogun, continuou utilizando seu karatê, mas agora com maior versatilidade, não se prendendo apenas ao karatê. 
O "Shogun" já é um caso curioso. Perdeu a primeira luta contra Lyoto Machida de forma extremamente contestada pelo público presente e telespectadores. Voltou mais agressivo e não deixou na mão dos jurados, venceu por nocaute. Daí me aparece um cara extremamente versátil, rápido e com um arsenal de golpes e combinações muito eficaz, seu nome? Jon "Bones" Jones. Shogun parecia ter relaxado pensando que seria fácil manter um cinturão. Nem se viu o brasileiro na luta. 
Agora, respondendo à pergunta feita no meio deste texto, não creio que seja um indicador apenas do aumento na qualidade dos atletas desafiantes, mas também um certo relaxamento por parte dos detentores de cinturão imaginando uma possível hegemonia, o que é extremamente ruim. Já o fato de haver claramente o ganho em qualidade técnica de outros atletas, considero como sendo um fator determinante para a melhora do esporte. Afinal, se um atleta melhora outro por consequência, deve melhorar também.

Acho que é isso.