terça-feira, 24 de maio de 2011

CAPÍTULO 14 - Dos ensinamentos passados de geração à geração

Pelo que conhecemos até os dias atuais, sabemos que as Artes Marciais tem por finalidade propiciar a seus praticantes o máximo possível de benefícios como bem estar, saúde, capacidade de defender-se em situações hostis, entre outros fatores. Mas o que muitas vezes não paramos para pensar, são as condições que nos leva a recorrer este meio. Não levamos em consideração, muitas vezes, a postura ideal do professor, instrutor, mestre que seja, não só dentro, mas fora dos centros de treinamento também. Não estou aqui para acusar ninguém e muito menos estabelecer um padrão comportamental para tais posições. Apenas venho aqui para citar algumas cenas que já presenciei no meu curto período de vivência nas Artes Marciais.
Uns dias atrás, enquanto eu acomodava minha mala de treino ao chegar à academia onde dou aula de boxe feminino, pude notar uma cena curiosa (para não dizer desleixada) por parte do instrutor de kickboxing. Nada contra a modalidade e muito pelo contrário, é uma das que tenho grande apreço (e já dei aula inclusive) pela sua variedade de golpes e combinações possíveis, velocidade e gasto energético durante um sessão de treino, enfim, indico, mas não tem como não reclamar do instrutor. Ao chegar no local, percebi que o sujeito se encontrava vestido de calça apenas e sem camisa ou camiseta. Independente de na modalidade haver muito ou pouco contato, a indumentária se faz tão necessária e importante quanto as técnicas ministradas. Outra coisa que pude notar foi a saudação utilizada, e é deste ponto que quero partir.
Neste dia, o que eu vi foi uma saudação que mais se aproximava da utilizada no Taekwondo que no Kickboxing propriamente dito. Mão no peito, juramento com pés juntos e cabeça baixa, tudo em sinal de respeito e submissão. O que eu tenho como saudação do Kickboxing é apenas um gesto militar de bater as mãos na lateral das próprias coxas. Ok, partindo do ponto que houve alterações na saudação (início e fim do treino) venho informar que tendemos da mesma forma, a inclinar nossos ensinamentos técnico-marciais da forma que imaginamos ser mais eficiente. Considero tal forma de ensinamento totalmente errônea, visto que existe uma "coisa" chamado heterogeneidade da turma. Em se tratando de atletas formados, cujo feedback não precisa ser fornecido pelo professor a qualidade técnica aparecerá mesmo se houver pequenas adaptações no movimento. Para elucidar melhor, um soco cruzado poderia (como já vi acontecer muitas vezes) ser ensinado antecedido de uma leve rotação do tronco para o lado do braço que efetuará o soco certo? Errado, pois ao ensinar de tal forma, o aluno que não tem vivência e muito menos experiência na área, tenderá a efetuar o golpe cruzado sempre rotando o tronco, mostrando assim qual ação executará.
Parece fácil mas ensinar movimentos das Artes Marciais, independente de qual seja, priorizando a técnica original sem alterações é extremamente difícil.
Há um mês atrás aproximadamente, um atleta do Judô me veio com o assunto que há três tipos de Ippon Seoi Nage (um dos golpes de braço do judô) e me mostrou os três, sendo que num deles a ação principal do golpe se encontrava claramente no quadril. Apenas balanceei a cabeça como quem concorda e saí.
Aos professores, instrutores, técnicos e mestres, fica meu apelo: técnica é técnica, campeonato é campeonato e iniciante tem que aprender é técnica pura, sem alterações feitas por e/ou para atletas de alto nível.

Abraços a todos

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