terça-feira, 31 de maio de 2011

CAPÍTULO 15 - Arte marcial, financeira ou honrosa?

O que caracteriza uma arte marcial? Sinceramente eu não sei. Tenho, de uns tempos pra cá, me tornado extremamente inapto para definir ou caracterizar definições e conceitos pré-estabelecidos. Mas por consenso geral, arte marcial é a arte militar, a arte de guerrear e muitos se questionam se ela vem se descaracterizando pela sua comercialização. Bom, creio que a arte marcial vem deixando de ser arte de guerrear a muito tempo, desde que inventaram as armas de fogo para ser mais preciso. Daí começam a questionar alguns pontos das competições realizadas mundo afora, como regras, premiação, categorização dos atletas e outros fatores que podem influenciar nas decisões. Sinceramente? Tem que ter regras mesmo. Tem que ter premiação mesmo. Tem que segregar os atletas por peso e graduação mesmo. Explico o por que.
Regras - para pensar numa competição de luta (qualquer que seja a modalidade) sem regras e quão divertido seria ela. Conseguiram imaginar? Pois é. Seria uma porradaria desvairada e sem finalidade, fundamento e princípios. Regras, não entram em uma competição para prejudicar determinado atleta. Até porque ela não se direciona ao indivíduo, e ao grupo, expondo onde, quando e porque executar determinadas ações dentro da área de combate. 
Premiação - por que treinar arduamente se não há uma finalidade? Se há, qual ela é? Quanto tempo você tem para atingí-la? E principalmente qual o custo para o corpo e mente em treinar 3, 4, 6 vezes por semana para "nada". É óbvio que qualquer que seja seu treinamento, jamais será em vão, mas quando se estabelece objetivos a serem cumpridos, metas a serem alcançadas, fica muito mais fácil perceber qual caminho seguir. A premiação não necessariamente deve ser em dinheiro (apesar de ser o ideal), mas deve existir. Todo atleta tem um gasto com treino, independente se este é baixo ou elevado, ele existe. E viajar, seja gratuitamente (financeiramente falando) ou de forma paga direta, é custoso.
Categorização - tem mesmo é que categorizar todo mundo. Você acha que é fácil lutar com um cara de 20 anos de treino, faixa preta (não que isso, isoladamente, signifique algo) e/ou mais pesado que você seja fácil? Então vá lá. Porque eu posso até ir lá, mas treinarei muito mais que o normal antes de realizar tal feito. Categorizar os atletas, é justificar a competição de modo a deixá-la mais significativa quanto às técnicas apresentadas e pontuação obtida.
Em resumo, antigamente a Arte Marcial era também uma competição, pois era muitas vezes utilizada para selecionar os melhores guerreiros, os mais aptos a vencer no campo de batalha. A recompensa se dava na honra em defender a pátria, em voltar como herói, receber menções do rei, imperador ou afins. Hoje, os atuais guerreiros lutam para defender a própria honra e da academia que treina (muitas vezes os atletas passam mais tempo nela que em casa), sendo esta última sua pátria; arrecadar dinheiro para sobreviver e sustentar suas famílias também é uma finalidade honrosa para lutar.
Sinceramente, não acredito mais em lutas sem valor financeiro. Apenas a viver é uma luta sem valor contabilizado. Creio que existe uma hipocrisia reinando por aí. Muitos não concordam com premiações em lutas, mas todos os praticantes de artes marciais assistem ao UFC. Ou seja, dão seus trocados ao evento, de forma indireta, a fim deste pagar seu espetáculo.

Abraços e boa diversão nos próximos eventos
PS: sinto pelo post extenso 

terça-feira, 24 de maio de 2011

CAPÍTULO 14 - Dos ensinamentos passados de geração à geração

Pelo que conhecemos até os dias atuais, sabemos que as Artes Marciais tem por finalidade propiciar a seus praticantes o máximo possível de benefícios como bem estar, saúde, capacidade de defender-se em situações hostis, entre outros fatores. Mas o que muitas vezes não paramos para pensar, são as condições que nos leva a recorrer este meio. Não levamos em consideração, muitas vezes, a postura ideal do professor, instrutor, mestre que seja, não só dentro, mas fora dos centros de treinamento também. Não estou aqui para acusar ninguém e muito menos estabelecer um padrão comportamental para tais posições. Apenas venho aqui para citar algumas cenas que já presenciei no meu curto período de vivência nas Artes Marciais.
Uns dias atrás, enquanto eu acomodava minha mala de treino ao chegar à academia onde dou aula de boxe feminino, pude notar uma cena curiosa (para não dizer desleixada) por parte do instrutor de kickboxing. Nada contra a modalidade e muito pelo contrário, é uma das que tenho grande apreço (e já dei aula inclusive) pela sua variedade de golpes e combinações possíveis, velocidade e gasto energético durante um sessão de treino, enfim, indico, mas não tem como não reclamar do instrutor. Ao chegar no local, percebi que o sujeito se encontrava vestido de calça apenas e sem camisa ou camiseta. Independente de na modalidade haver muito ou pouco contato, a indumentária se faz tão necessária e importante quanto as técnicas ministradas. Outra coisa que pude notar foi a saudação utilizada, e é deste ponto que quero partir.
Neste dia, o que eu vi foi uma saudação que mais se aproximava da utilizada no Taekwondo que no Kickboxing propriamente dito. Mão no peito, juramento com pés juntos e cabeça baixa, tudo em sinal de respeito e submissão. O que eu tenho como saudação do Kickboxing é apenas um gesto militar de bater as mãos na lateral das próprias coxas. Ok, partindo do ponto que houve alterações na saudação (início e fim do treino) venho informar que tendemos da mesma forma, a inclinar nossos ensinamentos técnico-marciais da forma que imaginamos ser mais eficiente. Considero tal forma de ensinamento totalmente errônea, visto que existe uma "coisa" chamado heterogeneidade da turma. Em se tratando de atletas formados, cujo feedback não precisa ser fornecido pelo professor a qualidade técnica aparecerá mesmo se houver pequenas adaptações no movimento. Para elucidar melhor, um soco cruzado poderia (como já vi acontecer muitas vezes) ser ensinado antecedido de uma leve rotação do tronco para o lado do braço que efetuará o soco certo? Errado, pois ao ensinar de tal forma, o aluno que não tem vivência e muito menos experiência na área, tenderá a efetuar o golpe cruzado sempre rotando o tronco, mostrando assim qual ação executará.
Parece fácil mas ensinar movimentos das Artes Marciais, independente de qual seja, priorizando a técnica original sem alterações é extremamente difícil.
Há um mês atrás aproximadamente, um atleta do Judô me veio com o assunto que há três tipos de Ippon Seoi Nage (um dos golpes de braço do judô) e me mostrou os três, sendo que num deles a ação principal do golpe se encontrava claramente no quadril. Apenas balanceei a cabeça como quem concorda e saí.
Aos professores, instrutores, técnicos e mestres, fica meu apelo: técnica é técnica, campeonato é campeonato e iniciante tem que aprender é técnica pura, sem alterações feitas por e/ou para atletas de alto nível.

Abraços a todos

domingo, 22 de maio de 2011

CAPÍTULO 13 - Toda a rotatividade?

Estava assistindo ao UFC aqui em casa uns dias atrás (um dos que tenho gravado) e me dei conta da rotatividade de campeões que existe na categoria meio-pesado (-93 kg). Antes quem defendia o título era o Rashard Evans; Perdeu o cinturão para o brasileiro Lyoto Machida; que perdeu o título para outro brasileiro, Maurício Shogun; que enfim, perdeu para o norte americano, Jon "Bones" Jones.
Dos campeões citados acima, não tem um que pode-se apontar como de baixa qualidade. Todos são extremamente qualificados e bem preparados físico, mental e tecnicamente. Mas o que realmente me pôs a pensar, foi o curioso fato de um campeão não manter o título durante muito tempo, como se vê nas categorias inferiores - George St. Pierre -77 kg; Anderson Silva - 84 kg (última derrota em 2007 e 2006, respectivamente). 
Bom, vou direto ao ponto, à questão por assim dizer: essa rotatividade toda, é um indicador de qualidade de outros atletas em ascensão ou não? Se é, isso é bom ou ruim?
De início, pensei numa possível queda na qualidade desempenhada pelos atletas detentores de cinturão desta categoria, mas analisando os atletas, em especial os que detiveram o cinturão, pude perceber que o que acontece na verdade é um processo de qualificação cada vez mais acentuado por parte dos atletas desafiadores. 
Veja bem, Rashard Evans antes de lutar com Lyoto Machida utilizava demais um jogo de boxe e contra-ataque, após a derrota para o "The Dragon", passou a utilizar mais, e com mais frequência, seu jogo de wrestling e ground and pound. Tem dado certo. O Lyoto, utilizava muito seu jogo de karatê, conseguindo manter um jogo de distância e entrada e saída muito bom. Após sua derrota para o brasileiro Shogun, continuou utilizando seu karatê, mas agora com maior versatilidade, não se prendendo apenas ao karatê. 
O "Shogun" já é um caso curioso. Perdeu a primeira luta contra Lyoto Machida de forma extremamente contestada pelo público presente e telespectadores. Voltou mais agressivo e não deixou na mão dos jurados, venceu por nocaute. Daí me aparece um cara extremamente versátil, rápido e com um arsenal de golpes e combinações muito eficaz, seu nome? Jon "Bones" Jones. Shogun parecia ter relaxado pensando que seria fácil manter um cinturão. Nem se viu o brasileiro na luta. 
Agora, respondendo à pergunta feita no meio deste texto, não creio que seja um indicador apenas do aumento na qualidade dos atletas desafiantes, mas também um certo relaxamento por parte dos detentores de cinturão imaginando uma possível hegemonia, o que é extremamente ruim. Já o fato de haver claramente o ganho em qualidade técnica de outros atletas, considero como sendo um fator determinante para a melhora do esporte. Afinal, se um atleta melhora outro por consequência, deve melhorar também.

Acho que é isso.