Bem vindos novamente meus amigos.
Como meu pensar não é (da mesma forma o de ninguém deveria ser) momentâneo e sim constante, aqui estou eu para expor o que penso sobre ideologias nas artes marciais. Se formos analisar arte por arte, luta por luta, esporte de combate por esporte de combate levaríamos semanas ou meses e quiçá anos. Por isso vou me ater apenas a três: o Judô, o Gungg-Fu e o Boxe.
A primeira pergunta que faço é: seriam o desenvolvimento das filosofias marciais responsabilidade dos mestres e criadores ou de seus praticantes?
Bom, a reflexão que fiz e continuo fazendo constantemente há 3 anos a respeito desta questão é que depende. Depende? Sim, depende. Vamos analisar um pouco algumas filosofias marciais. O Judô por exemplo tem em sua filosofia três grandes princípios: o JU que significa suavidade; SEIRYOKU-ZEN-YO que representa o máximo de eficiência com o mínimo de esforço; e o JITA-KIOEI transmitindo o bem estar e benefícios mútuos. São fundamentos que foram instituídos em sua criação por Jigoro Kano e que, em muitos Dojos mundo afora deixou de ser seguido por ter em vista a competição único e exclusivamente. Não condeno e acho que deveriam refletir a respeito quem comete tal atitude, mas vanglorio intensivamente àquelas que ainda priorizam tal ensinamento. O Gung-Fu, arte milenar é imerso em filosofias e mais filosofias, passagens e mais passagens em seus templos com seus mestres e discípulos, eis um motivo pelo qual considero-o não como uma arte marcial, mas como um modo de vida. No Gung-Fu de modo geral (dentre as mais de 300 formas de Kung-Fu) seus princípios são os mesmos: CHI que representa a firmeza de caráter e não energia interna como muitos idealizam por meio de desenhos animados; o HEI mostrando o desprendimento de valores, estando sempre disposto a ajudar sem receber nada em troca; o JUNG que retrata o espírito corajoso e heróico; e por fim, porém não menos importante, o WAI que significa ser ativo em todos os empreendimentos. Numa das minhas visitas a uma escola de Kung-Fu fiquei decepcionado em ver que estes princípios dissiparam-se ali. Não generalizei e não estou generalizado. Como disse Mandela certa vez "Todos os homens são bons, até que eles me provem o contrário!" Este me provou
Bom eu poderia citar aqui diversas outras modalidades que têm em seus fundamentos princípios filosóficos ou doutrinários, mas vou me ater a comentar apenas estas duas e outra que não possui fundamentos filosóficos em suas aulas: o Boxe.
No boxe não temos uma filosofia marcial (até porque ele não tem caráter militar em sua criação) ou qualquer outra fonte de elevação espiritual em seus treinos. Nele aprendemos as técnicas, os golpes, as regras, os pesos e categorias amadoras e profissionais. Mas não temos nele um exemplo de como conduzir nossas vidas? Esta parte é peculiar. Vamos para isso analisar alguns pugilistas que fizeram história. MUAHAMMED ALI (inicialmente chamado Cassius Clay Jr.) cresceu em uma família pobre na região Louisville e utilizou-se do boxe não só para se tornar em sua época o mais novo campeão mundial dos pesos pesados, mas também para combater violentamente o racismo que assolava os EUA durante décadas. Ficou marcado também por sua influência e companhia de Malcon-X e frases de cunho anti-preconceituosas como "Não tenho nada contra os vietnamitas, eles nunca me chamaram de crioulo!". Outro personagem que vale a pena ser citado aqui, é o controverso e incontestável mais novo (em idade) campeão mundial de boxe dos pesos pesados Mike Tyson. Criado no Brooklin, foi preso aos 12 anos de idade por estar com $1.500,00 escondido e teve na prisão seu primeiro contato com o boxe. Após cumprir pena foi indicado a treinar com Cus D'Amato, que o acolheu em sua casa, tratando-o como um filho e educando-o como tal.
A partir de tudo escrito acima (que por mais que não pareça está resumido) como concluir se a busca de algo espiritual nas artes de combate devem ser inerentes às artes marciais ou pessoal? Prefiro acreditar que não existe uma ou outra filosofia marcial ideal, mas sim que a fusão de todas àquelas que lhe faz bem devem fundir-se, criando assim cada ser humano sua própria maneira de viver harmoniosamente.
Abraços
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