terça-feira, 12 de outubro de 2010

CAPÍTULO 3 - O problema em esportivizar as artes marciais

Olá irmãos marciais, bem vindos a mais um capítulo deste confronto!
Boxe, Judô, Jiu-Jitsu e MMA. O que estas modalidades têm em comum? Sabe não? O fato de terem se esportivizado!
Esportivizar uma modalidade de combate corpo-a-corpo não quer dizer necessáriamente que esta se tornará melhor e mais organizada. Não digo que isto acontece apenas no Brasil. ESTAMOS FALANDO DE NÍVEL MUNDIAL. Então vamos começar a listá-las.
O Boxe é um perfeito exemplo de má administração. Me recordo de quando eu tinha no máximo uns 13 anos e ficava até as 01h da madrugada para assistir o campeonato mundial dos pesos pesados de boxe, eu delirava com aquilo. Soava o gongo, jab, direto em um dois e um gancho ou um cruzado no queixo e bang, seu adversário estava no chão! Fantástico. As vezes as lutas duravam os 12 assaltos, mas lá estava eu, mais acordado a cada step do pugilista, cada golpe e cada round me fascinava. Hoje? Hoje em dia a Associação Mundial de Boxe (WBA), a Organização Mundial de Boxe (WBO) e a Federação Internacional de Boxe (IBF) deixaram isto se perder. Esta organização e popularidade se perderam. Vieram programas televisionados como o The Contender para selecionar alguns atletas amadores do boxe e, quem vencesse "classificaria" para o profissional, foi uma forma de resgatar a imagem do boxe. Esta arte de combate é no meu ver uma das mais nobres dentre as artes de luta, uma (senão a) que mais exige do atleta e uma das mais antigas formas de combate existentes no planeta. Deveriam olhar com bons olhos para ele.
O Judô. O Judô pouco depois de sua criação foi implementado nos jogos olímpicos do Japão, não só por ser japonês, mas pelo fato de seu criador ser amigo do idealizador dos Jogos Olímpicos, Barão Pierre de Cobertain. Mas a história não nos interessa tanto aqui e sim a organização. Quando tratamos de campeonatos a nível mundial a organização é fantástica (ao menos para mim que estou apenas assistindo), mas quando falamos de campeonato a níveis estaduais, universitários regionais e locais... Como arte que é, os organizadores dos campeonatos de Judô deveriam ter mais respeito e compromisso com seus atletas e participantes, lembrando que quem participa não é só quem está no tatame, a familia e amigos também participam e muito, e não é nem um pouco legal esperar. Quando eu assistia os Jogos Olímpicos na Tv e via o Judô era uma coisa de louco. Aqueles Ippon's, aquelas projeções fantásticas, eu pensava: "quero isso para mim!" Mas como diz o outro, o buraco é mais embaixo! E a organização regional também é bem mais embaixo!
No caso do Jiu-Jitsu é pior ainda. O Jiu-Jitsu como vemos hoje é BRASILEIRO e não japonês como muito dizem. Japonês não usa "kimura", Japonês não usa "Leg Lock" e não usa "Chave de Joelho". O Jiu-Jitsu Brasileiro usa tudo isso como recurso de finalização. Temos um esporte puramente brasileiro mas não temos organizaçãoo nenhuma. Temos federação, temos confederação mas não temos um sistema de categorias de peso bem definida. Isso é estimulante em treinos. Durante as competições a diferença é discrepante e fala muito mais alto.
O MMA é um caso a parte. Não surgiu como arte marcial. Não surgiu como esporte. Como ele surgiu então? O MMA surgiu na verdade na década de 90 com o surgimento do Jiu-Jitsu Brasileiro e a necessidade da família Gracie em mostrar para o mundo a superioridade da nova modalidade. Funcionou. Rickson Gracie começou a participar de campeonatos que tinham caráter puramente desafiador entre modalidades diferentes. Vencia todos seus oponentes utilizando-se do Jiu-Jitsu, não exclusivamente, mas dava ênfase. Pouco tempo depois, seu irmão Royce Gracie criou o Ultimate Fight Championship que veio a se tornar o maior evento de artes marciais do mundo. Até hoje o UFC passou por 3 administrações apenas, sendo a mais eficiente delas esta última, a de Dana White. O administrador fez com que o UFC superasse o antigo Pride japonês, que era tido como referência mundial em MMA. Além do mais, promoveu a marca como empresa e não como esporte, deixando e instituindo regras que foram recentemente adotadas como parâmetro mundial para competições deste esporte.
O que falta no esportes de combate, é mais dedicação e ironicamente mais luta em prol do esporte. Do contrário vamos retroceder para mais atrás de onde nos encontramos.

Abraços

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